O DRAGÃO
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TRILOGIA DA GUERRA

A Trilogia da Guerra é uma trajetória que tem suas raízes no Ecum - Encontro Mundial das Artes Cênicas – um fórum internacional que, em 2006 reuniu no Brasil, artistas, pesquisadores e profissionais em torno de uma reflexão sobre O Teatro em Tempos de Guerra.

Qual é o papel do teatro diante do sofrimento e da violência? Como o teatro responde aos desafios e questionamentos colocados pelo mundo em guerra?

Artistas vindos de diferentes partes do mundo compartilharam suas experiências. Diferentes histórias, culturas, línguas e trabalhos apontaram para um teatro que pode testemunhar, agir solidariamente e se insurgir contra brutalidade.

Dessas experiências, o encontro com os atores iranianos do Siah Bâzi, Saadi Afshar e Shadi Zadeh, repercutiu sobre a trajetória do Amok. O Siah Bâzi é uma forma de teatro cômico que improvisa cenas repletas de alusões à atualidade e à política. Em 2003, o governo iraniano decidiu, sem aviso prévio, fechar o Teatro Nasr – o mais antigo de Teerã. Os atores do Siah Bâzi foram expulsos do lugar onde trabalhavam e ficaram desamparados, impossibilitados de exercerem sua arte. O Siah Bâzi incomodava e o público iraniano viu seu teatro ser silenciado.

A intensidade desse encontro nos impulsionou a mergulhar num projeto sobre o tema da guerra que pudesse refletir nosso desejo de afirmar o teatro como um lugar de convívio para pensar o mundo em que vivemos. Desejo também de investigar formas de dialogar com o real e procurar novas linguagens que permitam uma leitura do nosso tempo a partir de questões humanas universais.

Assim, iniciamos um percurso que resultou na criação de três espetáculos: O Dragão (2008), Kabul (2009) e Histórias de Família (2012). Nessa trilogia apresentamos três espetáculos independentes, três retratos da guerra e três diferentes experiências de linguagem cênica.

Nesse projeto, não pensamos na guerra como um fenômeno que atinge apenas alguns, ou um determinado povo. Nosso objetivo foi abordar esse tema a partir da alteridade. Um desejo de aproximação, de pensar a questão da violência a partir da experiência do outro buscando uma identidade humana e sem fronteiras. Para além dos limites geográficos, históricos ou culturais, o que colocamos em foco é o homem diante da violência de sua época.

Acreditamos que esse olhar em direção ao estrangeiro responde à questões levantadas pela globalização, em que migração, minorias, individualismo, cultura de consumo e tentativas de hegemonia são realidades efetivas. Nossa intenção foi compartilhar nossa perplexidade diante do monstro da guerra, traduzindo isso cenicamente, em atos, sons e movimentos.

Abordamos problemas que consideramos fundamentais na história contemporânea, acreditando que o teatro pode ser um lugar de discussão desses problemas. O que pode ser dito através do discurso cênico não pode ser dito através de nenhum outro discurso (científico, político ou jornalístico) e, por isso mesmo, ele interfere sobre a percepção que temos do real. Nesse percurso, espetáculos, debates e encontros com o público foram indissociáveis. A Trilogia da Guerra é um projeto sobre a memória, sobre um teatro que persiste em não esquecer. Um teatro que dialoga com nossa época, com seus impasses, seus desejos, seus sofrimentos e suas esperanças.

 
 
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