O DRAGÃO
a casa do amok

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OLHAR CRÍTICO

Desde seu primeiro trabalho no Rio de Janeiro, Ana Teixeira e Stephane Brod têm mostrado, repetidamente, que o comedimento e a disciplina jamais deixam de formar a solida base sobre a qual constroem seus espetáculos; sobre ela, uma consciência clara do valor de cada uma das linguagens cênicas os tem levado a fazer uma série de positivas contribuições para o progresso do teatro brasileiro, sempre produtos de longa reflexão e detalhado preparo.

Os três espetáculos que compõem a “Trilogia da Guerra’” deixaram forte marca, e se destacam no panorama carioca, pela seriedade e a perseverança com que Teixeira e Brodt têm se esforçado para expressar em legítima manifestação cultural brasileira, o produto de suas formações européias, sempre buscando encenações simples, austeras, que usam os valores básicos do teatro para suas encenações.

A guerra, toda e qualquer guerra, tem sido tema de incontáveis obras dramáticas, de teatro ou cinema, tantas vezes exploradas pelo simples impacto que mortos, feridos e batalhas podem ter; mas no caso da “Trilogia de Guerra” do Teatro Amok, o grande mérito é a habilidade com que  tudo o que é fácil e óbvio foi abandonado, e com que foram repudiados  o patriotismo e a ideologia,  que com tanta facilidade servem para a propaganda e as exaltações . 

“Dragão”, “Kabul” e “Histórias de Famílias”, ao enveredar pelo duro caminho daqueles que sofrem a guerra, dos que não a buscam ou querem, mas são por ela vitimados, pisam em terreno difícil, delicado, e por depoimentos ou ações investigam o sofrimento humano, falam de perdas, muito além das materiais, de raízes, de membros de família que se esfacelam, de amigos que as circunstâncias tornam inimigos.

De todas essas tragédias o Teatro Amok tem falado de forma aguda, penetrante, sem um único momento de exagero ou apelação, com uma economia que torna marcas, gestos, tons mais significativos por serem poucos, exigindo do ator uma interpretação comedida, mesmo que seja, na verdade, apaixonada. 

Tudo isso, é claro, é a expressão de uma visão específica de teatro, na qual texto e ator, em um palco, não têm limites para o que podem transmitir, usando a própria imaginação para alcançar a do espectador, e fazer se realizar o milagre teatral. 

Espetáculos do nível que têm tido os do Teatro  Amok  não acontecem não acontecem por acaso; são o resultado de um trabalho dedicado e consciente, de uma paixão por atingir aquele momento extraordinário, quase miraculoso, que Ana Teixeira e Stephane Brodt acreditam que uma implacável dedicação pode criar.

Barbara Heliodora

 

 

 

 
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